quinta-feira, 8 de março de 2007

O sujeito matou-se mesmo!

Isto, meus caros, veio publicado no Correio da Manha de hoje e é uma pérola, digna de rivalizar com a melhor comédia negra ou tragicomédia desde "A Vida é Bela".
O título jornalistico é saboroso: "Burocracia mata cozinheiro".
O problema é que, lido, o título corresponde à notícia, o que é raro no jornalismo português.
"O averbamento que Frank-Peter Marcischewski solicitou na Câmara Municipal de Vila do Bispo, segunda-feira de manhã, era o último de muitos passos burocráticos para abrir um restaurante na pequena aldeia de Hortas do Tabual. O cozinheiro viera da Alemanha para Portugal há oito anos e há seis que tentava realizar aquele sonho.

Mas faltava um pormenor: a licença de utilização estava em nome do seu sócio e amigo Horst Schültze – e Frank queria a exploração em seu nome. Ter-lhe-ão dito na Câmara que já não podia abrir o restaurante no dia seguinte – pelo menos foi isso que percebeu, falava mal português – mas não era verdade. Desesperado, Frank Marcischewski pôs fim à vida, atirando-se do promontório da Fortaleza de Sagres. Tinha 54 anos."
Está-se mesmo a ver que os únicos que conseguem aguentar a burocracia portuguesa são os indígenas; os estrangeiros matam-se depois de se confrontarem com ela!

1 comentário:

Bottled (em português, Botelho) disse...

Caro Senhor Marquês, Senhoria,

Vê-se mesmo que estes outsiders não compreendem o sentir tuga!

Se fosse connosco, a malta barafustava como tudo, chamava os jornais, ia às trombas do funcionário, fechava-se na casa-de-banho da Câmara com um barril de pólvora e um fósforo (no meu caso seria um barril de tinto e uma palhinha) e a coisa ainda se resolvia neste século: era SIMPLEX!

Mas não, estes tipos andam a ler tragédias gregas e cenas do género e depois dá nisto!

Bom, pelo menos agora não lhe faltarão papos de anjo, toucinhos do céu e o belo do bacalhau espiritual!

Hic Hic Hurra