segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Já enjoa!

Quem ouviu os noticiários, sejam radiofónicos ou televesivos, do dia de ontem, chega à seguinte conclusão: em todos os actos eleitorais a mesma conversa da treta (antes fora a do Feio e do Gomes, que sempre dava para rir).

Como sobre o tema em causa - in casu a liberalização do aborto - nada se pode dizer, temos reportagens sobre a hora a que os políticos foram votar, onde, com quem, quais as suas expectativas, o que vão fazer durante o dia, quando se vão reunir com as tropas, blá, blá, blá...

Há anos que anseio por algo verdadeiramente criativo e novo, uma pedrada no charco, estilo (adpatando ao referndo de ontem):

- Cavaco Silva, o PR, ficou na cama a manhã toda, baldou-se à missa, de tarde foi ao cinema com os netos e, por pouco que não votava, pois chegou à sua mesa de voto às 18.59h, graças à ajuda de batedores da PSP;
- José Sócrates, oo PM, votou logo às 9h e foi para a cama; estava visivelmente cansado, pois passou a noite em campanha eleitorial na zona das docas e do Kings and Queens, disse que não sabia a que horas iria para a sede do PS, sequer se iria para lá, pois tomaria 3 valiums;
- Marques Mendes votou pela manhã, disse que estava cheio de confiança e ía mandar uma valente queca na mulher (com preservativo), depois ía experimentar os novos pares de sapatos encomendados por Kim Jong Il à fábrica de calçado do seu cunhado e que daria um pulo à sede do PSD lá pela 20h, para beber um copo, mas queria estar em casa cedinho, para ver os Gato Fedorento;
- Ribeiro e Castro, depois de papar as três missaS dominicais da manhã na sua Paróquia, foi votar; confessou-se 10 vezes - não consegue estar mais de 3 minutos sem proferir insultos contra Nuno Melo - passará a tarde com o seu treinador pessoal de karaté e body-combat, e irá para a sede do movimento Não, Obrigada lá pelas 20.30h logo depois de assistir à missa das 19h;
- Francisco Louçã foi votar após a ganza matinal, tomada colectivamente na sede do BE, seguida de orgia colectiva onde Ana Drago finalmente deu o cuzinho depois de Fernando Rosas a ter assegurado que Trotsky defendeu tal prática como o rompimento definitivo com a hipocrisia burgueso-capitalista opressora das mulheres proletárias; a tarde será passada a dar autógrafos em t-shirts com a cara do Che e a apelar ao voto no Sim «tou-me a cagar para esses gajos da CNE», terá dito;
- Jerónimo de Sousa foi votar pela manhã, cerca das 10h, apelou ao voto maciço dos trabalhdores e demais democratas, pois só uma votação expressiva no Sim conseguirá libertar as mulheres desta lei agrilhoante e humilhante, almoça em família, à tarde vai a um baile convívio de antigos operários metalúrgicos, seguindo para a sede do PCP pela 18h (aqui não se consegue, definitivamente, mais...);
- D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, ainda se tentou baldar à missa mas foi caçado pelos seus acólitos, que o levaram à força para a Sacristia e lhe vestiram os paramentos; depois votou, foi beber um café com cheirinho e fumar meio maço para o café; ía passar a tarde fechado na seu residência oficial, meditando em frente à SportTV e contava ir cedo para a cama mal sentisse que o whisky começava a bater.

1 comentário:

Marquês disse...

V. Ex.ª esqueceu-se do Garcia Pereira, que se levantou às 7 da manhã e que telefonou para o pessoal do MRPP, apelando a uma concentração no RALIS, levando cada um a metralhadora própria guardada desde os tempos do PREC lá em casa; às 8 horas a acção foi cancelada porque entretanto a maioria dos participantes já não sabia onde havia metido as metralhadoras, sendo que a maior parte havia sido entregue à P.S.P. na sequência da mudança da lei das armas; às 9 horas, Garcia Pereira telefonou para Arnaldo Carvalho, perguntando-lhe se estava com eles ou contra eles, ao que Arnaldo lhe respondeu que não podia responder uma vez que estava na missa e tinha de desligar o telemóvel; às 10 horas, Garcia Pereira deslocou-se ao Galeto, onde se apercebeu que os rissóis não estavam com o sabor do dia; às 11 horas, Garcia Pereira estava em discussão verbal com um agente da P.S.P. no Galeto, queixando-se do prazo de validade dos rissóis; ao meio-dia, Garcia Pereira estava na Esquadra do Rossio, detido por injúrias à autoridade; às 16 horas, e após ter sido libertado depois de preencher todos os formulários da Esquadra, Garcia Pereira telefona para o seu vice para saber como vai a votação, ao que lhe este lhe responde que a coisa vai bem e que não vai ser ainda preciso fazer uma revolução; às 17 horas, Garcia Pereira vai tentar achar a sua metralhadora na garagem, apercebendo-se que a mesma desapareceu; depois de duas horas à procura da mesma, lembrou-se que a metralhadora havia sido atirada ao Tejo pela sua antepenúltima secretária, depois de a ter sujeitado a sevícias várias (as outras tinham gostado, nunca percebera porque aquela não gostara de brincar com o cano da metralhadora); às 19.05h, Garcia Pereira deitou as mãos à cabeça ao aperceber-se de que não havia votado. Ás 19.06h decidiu que, se o "Sim" perdesse por um voto, punha a culpa no Arnaldo Matos, aquele traidor da esquerda revolucionária!