Inspector Serôdio - Os anos de aprendizagem no exílio
(continuação)
Já vimos como foi a infância do proeminente Inspector Serôdio, em alguns dos vários episódios marcantes do seu início de carreira.
Prossigamos, então e já que o exemplar em questão foi de férias, impunemente com o seu trajecto vivencial, começando por afirmar que o nosso personagem muito cedo empreendeu dura e árdua tarefa no sentido de convencer o seu progenitor a deixá-lo ir estudar para fora de Portugal, com o argumento de que aqui não existiam professores à altura para a carreira que ele já decidira prosseguir.
Como seu pai não aderisse aos fundamentos esgrimidos com mestria, e muitas vezes terminasse as conversas de forma brusca com comentários do género: "mas porque raio não me tocou um filho normal, que quisesse ser calceteiro, torneiro-mecânico ou vendedor ambulante de tupperwares?", o jovem Serôdio cedo tratou de o convencer à força, tendo realizado uma investigação tão pormenorizada em que confrontou, vinte minutos depois do seu início, o seu paterno familiar com provas tão evidentes de que andava metido com a empregada africana que este, para obter o seu silêncio face à mãe, não teve remédio senão concordar em enviá-lo para o Ruanda, local onde se encontrava aberta a única escola de detectives a sério conhecida no mundo inteiro.
Foi, pois, um pequeno Serôdio saudoso, mas feliz, aquele que se despediu de seus familiares no aeroporto da Portela e rumou ao exílio detectivesco, só tendo regressado do Ruana doze anos depois, após "convite" nesse sentido do Presidente daquele país que já não aguentava mais ver a sua vida privada devassada na comunicação social, uma vez que todos os tambores tribais denunciavam ora as suas aventuras sexuais com os elefantes fêmeas ora os seus jogos de poder e constantes acções de tráfico de diamantes e de berlindes, dos quais era fanático.
Foi nesse exílio a pedido que o jovem Serôdio teve oportunidade de ser treinado por alguns dos maiores "experts" na matéria, tais como o Inspector Clouseau (que não pôde ser coadjuvado por seu precioso auxiliar oriental chamado Cato, uma vez que o nosso Serôdio, que era alérgico a esses animais, como sabemos, persuadiu o seu mestre a dispensá-lo, tomando alegremente o seu lugar nos jogos investigacionais que se seguiram), uma outra personagem que, posteriormente, viria a assumir protagonismo em França, numa Gendarmerie e ainda o grande mestre Inspector Max, cujas técnicas de faro foram muito aproveitadas pelo jovem Serôdio, nomeadamente para detectar as aventuras extra-conjugais do Presidente do Ruanda e o levaram a concluir que, um dia, iria necessitar de um assistente com tais predicados nasais.
Ficaram famosos alguns episódios ocorridos durante esse tempo, que ainda circulam entre os contadores de histórias tribais, mas destacamos aquele onde o nosso jovem detective se viu a braços com um mistério profundo, uma vez que uma estranha epidemia estava a afectar os hábitos sexuais dos macacos gritadores, que entravam em histeria colectiva sempre após o coito e andavam a copular com tudo o que se mexesse num raio de 200 metros ao redor de qualquer macho da espécie. Após uma investigação de grande paciência e perícia técnica descobriu que o escravo que tinha a seu cargo a colocação de cloro na água da piscina do palácio presidencial era míope e tinha trocado as pastilhas de cloro por uns comprimidos azuis receitados ao Presidente, denominados Viagra. Assim, quando aqueles primatas desciam para beber água da piscina, tomavam doses industriais daquele remédio e os efeitos não se faziam esperar. O que o nosso Inspector não contou foi que o Presidente daquela grande nação, na sua ânsia de o acompanhar na sua investigação, ao aproximar-se de um grupo de jovens e garbosos machos, não tomou os devidos cuidados e ficou cerca de um mês e picos sem se poder sentar na cadeira presidencial. Segundo contou, posteriormente, a pessoas de sua exclusiva confiança, a quem solicitou rigoroso sigilo, parece que os macacos tiravam senhas e trataram do presidente de acordo com um esquema político de "rotatividade para lamentar" que denunciava grande inteligência organizacional. Tirando esse pormenor, aliado aos olhares decepcionados e carrancudos das componentes femininas do harém presidencial, que tinham colocado algodão nos ouvidos para não escutarem os símios gritos e que já não dispensavam a sua presença assídua em suas almofadas, podemos dizer que a investigação foi um sucesso tanto mais que, ainda hoje, se sabe que o presidente coloca todos os meses avantajados cachos de bananas nos jardins do palácio, perto das piscinas e ingressa nas matas circundantes sem escolta, ouvindo-se depois vários gritos animalescos (nem todos com origem nos macacos gritadores, segundo corre de boca-em-boca).
Antes de regressar a Portugal, onde iria ingressar na Universidade e ter uma activa vida académica (tema do nosso próximo "post" sobre o assunto), teve ainda oportunidade para publicar, em Ruandês, uma obra que viria a fazer história naquele país, a qual intitulou de: "A importância do muco vaginal dos paquidermes na condução da política presidencial Ruandesa" e que, assim que foi publicada, precipitou o seu regresso ao nosso país.
(a continuar)
Já vimos como foi a infância do proeminente Inspector Serôdio, em alguns dos vários episódios marcantes do seu início de carreira.
Prossigamos, então e já que o exemplar em questão foi de férias, impunemente com o seu trajecto vivencial, começando por afirmar que o nosso personagem muito cedo empreendeu dura e árdua tarefa no sentido de convencer o seu progenitor a deixá-lo ir estudar para fora de Portugal, com o argumento de que aqui não existiam professores à altura para a carreira que ele já decidira prosseguir.
Como seu pai não aderisse aos fundamentos esgrimidos com mestria, e muitas vezes terminasse as conversas de forma brusca com comentários do género: "mas porque raio não me tocou um filho normal, que quisesse ser calceteiro, torneiro-mecânico ou vendedor ambulante de tupperwares?", o jovem Serôdio cedo tratou de o convencer à força, tendo realizado uma investigação tão pormenorizada em que confrontou, vinte minutos depois do seu início, o seu paterno familiar com provas tão evidentes de que andava metido com a empregada africana que este, para obter o seu silêncio face à mãe, não teve remédio senão concordar em enviá-lo para o Ruanda, local onde se encontrava aberta a única escola de detectives a sério conhecida no mundo inteiro.
Foi, pois, um pequeno Serôdio saudoso, mas feliz, aquele que se despediu de seus familiares no aeroporto da Portela e rumou ao exílio detectivesco, só tendo regressado do Ruana doze anos depois, após "convite" nesse sentido do Presidente daquele país que já não aguentava mais ver a sua vida privada devassada na comunicação social, uma vez que todos os tambores tribais denunciavam ora as suas aventuras sexuais com os elefantes fêmeas ora os seus jogos de poder e constantes acções de tráfico de diamantes e de berlindes, dos quais era fanático.
Foi nesse exílio a pedido que o jovem Serôdio teve oportunidade de ser treinado por alguns dos maiores "experts" na matéria, tais como o Inspector Clouseau (que não pôde ser coadjuvado por seu precioso auxiliar oriental chamado Cato, uma vez que o nosso Serôdio, que era alérgico a esses animais, como sabemos, persuadiu o seu mestre a dispensá-lo, tomando alegremente o seu lugar nos jogos investigacionais que se seguiram), uma outra personagem que, posteriormente, viria a assumir protagonismo em França, numa Gendarmerie e ainda o grande mestre Inspector Max, cujas técnicas de faro foram muito aproveitadas pelo jovem Serôdio, nomeadamente para detectar as aventuras extra-conjugais do Presidente do Ruanda e o levaram a concluir que, um dia, iria necessitar de um assistente com tais predicados nasais.
Ficaram famosos alguns episódios ocorridos durante esse tempo, que ainda circulam entre os contadores de histórias tribais, mas destacamos aquele onde o nosso jovem detective se viu a braços com um mistério profundo, uma vez que uma estranha epidemia estava a afectar os hábitos sexuais dos macacos gritadores, que entravam em histeria colectiva sempre após o coito e andavam a copular com tudo o que se mexesse num raio de 200 metros ao redor de qualquer macho da espécie. Após uma investigação de grande paciência e perícia técnica descobriu que o escravo que tinha a seu cargo a colocação de cloro na água da piscina do palácio presidencial era míope e tinha trocado as pastilhas de cloro por uns comprimidos azuis receitados ao Presidente, denominados Viagra. Assim, quando aqueles primatas desciam para beber água da piscina, tomavam doses industriais daquele remédio e os efeitos não se faziam esperar. O que o nosso Inspector não contou foi que o Presidente daquela grande nação, na sua ânsia de o acompanhar na sua investigação, ao aproximar-se de um grupo de jovens e garbosos machos, não tomou os devidos cuidados e ficou cerca de um mês e picos sem se poder sentar na cadeira presidencial. Segundo contou, posteriormente, a pessoas de sua exclusiva confiança, a quem solicitou rigoroso sigilo, parece que os macacos tiravam senhas e trataram do presidente de acordo com um esquema político de "rotatividade para lamentar" que denunciava grande inteligência organizacional. Tirando esse pormenor, aliado aos olhares decepcionados e carrancudos das componentes femininas do harém presidencial, que tinham colocado algodão nos ouvidos para não escutarem os símios gritos e que já não dispensavam a sua presença assídua em suas almofadas, podemos dizer que a investigação foi um sucesso tanto mais que, ainda hoje, se sabe que o presidente coloca todos os meses avantajados cachos de bananas nos jardins do palácio, perto das piscinas e ingressa nas matas circundantes sem escolta, ouvindo-se depois vários gritos animalescos (nem todos com origem nos macacos gritadores, segundo corre de boca-em-boca).
Antes de regressar a Portugal, onde iria ingressar na Universidade e ter uma activa vida académica (tema do nosso próximo "post" sobre o assunto), teve ainda oportunidade para publicar, em Ruandês, uma obra que viria a fazer história naquele país, a qual intitulou de: "A importância do muco vaginal dos paquidermes na condução da política presidencial Ruandesa" e que, assim que foi publicada, precipitou o seu regresso ao nosso país.
(a continuar)
2 comentários:
Tenho aqui que adicionar um importante elemento histórico-biográfico, omitido neste relato:
É que foi apenas após o meu regresso que estalou a guerra civil entre Utus e Tutsis.
Enquanto lá estive - com a preciosa ajuda dos macacos gritadores - o pessoal manteve-se sossegado (bem, excepto quando os símios íam ao bebedouro presidencial...)
Senhor Inspector,
Não sei o que seria de mim, pobre e modesto autor, sem a preciosa ajuda de V. Exa. nesta minha tentativa inglória de o glorificar!
Agora bonito bonito é o nome do actual presidente do Ruanda!
Hic Hic Hurra!
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