O Grande Furo de 2006 foi nosso... ou melhor, foi do Marquês
É verdade, após grande pressão internacional em que eu próprio tive de me meter ao barulho, ameaçando-os com os meus garrafões de destruição maciça caso não deixassem o repórter da aldeia conseguir esse furo jornalístico, lá fomos autorizados pelo Pentágono a entrevistar Saddam Hussein e, no sorteio que fizemos, o jackpot saíu ao Senhor Marquês, tendo logo os restantes membros ficado tão desolados que foram afogar as mágoas para a Taberna comigo.
Foi, pois, perante um mar de galhofeiros bem-dispostos, que Sua Senhoria apanhou o avião e rumou à cela onde se encontrava o famoso ditador a usufruir da estadia, quase em time-sharing (já que aquele lugar nunca iria ser sua propriedade e, dizem os entendidos, ele estava lá a pagar pelo que fez) e, depois das devidas apresentações e emissão das necessárias credenciais, foi-lhe concedido o prazo de uma hora, e nem um minuto mais, para entrevistar aquela personalidade relativamente à qual nenhum de nós chegou a tempo de formular votos de bom 2007.
Dado que o Nobre Marquês apenas domina uma língua do Médio Oriente, que é a da Enrrabe-a Saudita (perdão, Arábia Saudita, já estava a fazer a tradução livre de que tanto gosto), e o ditador preferia expressar-se num inglês mal amanhado, foi na língua de Sua Majestade que a entrevista foi realizada, pelo que aqui passamos a mesma na íntegra, sem cortes, em mais um exclusivo aldeia lusitana, logo após o Nobre Marquês ter sido empurrado por dois oficiais americanos para a cela e a porta se haver novamente fechado por detrás de si.
"M - Take it easy, you animals!!!! You're dealing with a portuguese, from the land of Sócrates!"
(ouvem-se no fundo, gargalhadas mal dissimuladas e um dos soldados pergunta ao outro: "That guy wasn't an egyptician phyloshope?" enquanto o outro respondia "Don't know, man, never been in Egipt before!" e as gargalhadas continuaram).
"SH - Who is there?"
"M - It's me, a reporter from Aldeia Lusitana, a portuguese blog, surely you must have heard of us... we are well known internacionally!"
"SH - Really?"
"M - No, but we like to think that we are... and from this moment on, we shall be...!"
"SH - And, may I ask you, why do you say so?"
"M - Well, it's quite obvious, after this interview..."
"SH - Ahhhhh... so you're not the priest that cames to give me my final blessings?"
"M - Dear God, Sir... no!!!! Do I look like a priest to you?"
(Seguem-se três ou quatro minutos de silêncio em que Saddam parece avaliar bem o seu interlocutor e onde o nosso Marquês começa a sentir-se, pela primeira vez, algo desconfortável com aquele olhar inquisidor e, diria ele, quase lascivo)
Quebrando o silêncio, o entrevistado diz, então:
"SH - Well, if you came in all dressed in black, I might have mistaken you for a priest, but now that we both know that you are not one, I supposed all my blessings were heard by Allah, the Great Prophet!"
"M - And why do you say that?"
"SH - Well, it has been many days, many nights, standing here, all by myself, without a woman to satisfy my deepest desires."
"M - You mean: cook for you, passes your shirts and things like that?"
"SH - No, my dear friend, I mean sexual necessities! And, let's be honest with each other, I'm not in a position to demand a woman, right now, so you'll have to do..."
A aldeia decidiu, por unanimidade, não publicar o teor subsequente da entrevista, apenas levanta o véu no que toca à resposta dos soldados quando um desesperado Marquês bate ininterrupta e tresloucadamente na porta, em pânico, chamando por ajuda e pedindo que a mesma fosse aberta:
"We've received orders to not disturb within a full hour, not a minute more, not a minute less! So, please, stay quiet, do your fuckin' job and let us do ours!"
Hic Hic Hurra!
2 comentários:
Ah, ganda Marquês!
E no regresso, no aeroporto, teve que se despir todo porque o controlo policial não acreditou que, com aquela vozinha, fosse «o» indivíduo que constava do passaporte...
Foi uma entrevista das arábias, caraças, onde a frase que mais se ouvia era "ralabah ute, ralabah ute!" o que, em tradução directa e despreocupada, significa:"Guincha cabra, guincha cabra!". Não foi possível apurar quem gritava e quem sofria...mas era em árabe...em arábe...
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