4.ª ETAPA: Nador - Er Rachidia
A primeira noite em pleno deserto foi uma nova experiência para todos.
A Senhora Marquesa armou escândalo: como de costume, convidou Zé Negão para a sua tenda, pois tinha um problema no no aparelho de refrigeração que precisava de ser resolvido. Três horas depois e muita gritaria depois, Zé Negão saiu. Consta que o problema se agravou, visto que D. Marquesa estava com mais calor que nunca...
Sua Senhoria é que não descuidou da sua aparência. Assim, deu ordens para que a meio da noite chamassem Manolito, coiffeur pessoal de sua esposa, para lhe dar uns toques no visual. Os toques devem ter sido muitos, pois já era dia quando Manolito foi visto a sair da tenda de Marquês e com a camisa rosa choc drapiada completamente rasgada!
Com tanta agitação por estas hostes, é certo e sabido que a partida deu-se muito para além da hora, motivo pelo qual a organização penalisou a equipa.
Viriato foi quem melhor aproveitou a noite para descansar: com a sua Urraca Mamadona ainda a recuperar dos enjoos, as mamadas foram em exlusivo para o petiz. Atendendo a estarem já em pleno território mouro, montou um perímetro de segurança à volta da tenda e dividiu os turnos de vigia irmamente entre os quatro homens da equipa: Sertório Hermínio ficaria com o primeiro terço da noite, Xavier com o segundo, Godofredo com o terceiro e ele, como chefe, ficaria com a tarefa mais pesada, pois estaria de reserva durante toda a noite para a eventualidade de alguns dos outros adormecer – «quando isso ocorresse que o chamassem!». Todos aplaudiram a intligência e o espírito de abnegação do Chefe!!
Pela manhã, fresco que nem uma alface, partiu Viriato a toda a brida - «Cum catano, tá um dia memo bom para cilindrar uma dúzia de árabes! Ó Urraca, filha, não está na hora da minha mamada?...».
Para Zé Porvinho é que a vida começa a complicar-se. No meio do deserto, sem tascas nem tabernas – os poucos botequins que existem não vendem álcool mas apenas uma mistela intragável a que os berbéres chamam de chá («de menta, dizem eles... mentem, mentem, que aquilo deve mas é ser WCPato com trevos de 3 folhas e azeite!»).
Assim, não lhe restou outra slução que recorrer ao depósito de combustível de emergência que, providencialmente, encheu com tinto da bairrada (pensou antes da partida «tá bem tá: se me faltar a gasolina os gajos mandam cá a assistência e sacam-me daqui; se ficar sem o meu petroil, ninguém me abastece e ressaco aqui!»).
Valeu o cansaço dumas centenas de quilómetros já no deserto, um frio do camandro , 7 penáltis de tinto e 2 shots de bagaceira para que caísse a dormir.
Ao outro dia, depois do mata-bicho, estava pronto a zarpar. O problema foi a orientação. Xico bem procurou a lua e as estrelas, mas nada. Quando baixou os olhs do céu já Zé há muito carregava no acelarador: «Ó Zé, aquilo ali não é o mar?»; «mas tu estás a ressacar ou são miragens? Estamos a mais de 200 km do oceano. Vamos é parar para beber qualquer coisinha que este sol faz sede – Tó-Mané, abre aí três mines!!».
Com a prova a embrenhar-se pelo deserto veremos as qualidades dos nossos navegadores.
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