É verdade, após grande pressão internacional em que eu próprio tive de me meter ao barulho, ameaçando-os com os meus garrafões de destruição maciça caso não deixassem o repórter da aldeia conseguir esse furo jornalístico, lá fomos autorizados pelo Pentágono a entrevistar Saddam Hussein e, no sorteio que fizemos, o jackpot saíu ao Senhor Marquês, tendo logo os restantes membros ficado tão desolados que foram afogar as mágoas para a Taberna comigo.
Foi, pois, perante um mar de galhofeiros bem-dispostos, que Sua Senhoria apanhou o avião e rumou à cela onde se encontrava o famoso ditador a usufruir da estadia, quase em time-sharing (já que aquele lugar nunca iria ser sua propriedade e, dizem os entendidos, ele estava lá a pagar pelo que fez) e, depois das devidas apresentações e emissão das necessárias credenciais, foi-lhe concedido o prazo de uma hora, e nem um minuto mais, para entrevistar aquela personalidade relativamente à qual nenhum de nós chegou a tempo de formular votos de bom 2007.
Dado que o Nobre Marquês apenas domina uma língua do Médio Oriente, que é a da Enrrabe-a Saudita (perdão, Arábia Saudita, já estava a fazer a tradução livre de que tanto gosto), e o ditador preferia expressar-se num inglês mal amanhado, foi na língua de Sua Majestade que a entrevista foi realizada, pelo que aqui passamos a mesma na íntegra, sem cortes, em mais um exclusivo aldeia lusitana, logo após o Nobre Marquês ter sido empurrado por dois oficiais americanos para a cela e a porta se haver novamente fechado por detrás de si.
"M - Take it easy, you animals!!!! You're dealing with a portuguese, from the land of Sócrates!"
(ouvem-se no fundo, gargalhadas mal dissimuladas e um dos soldados pergunta ao outro: "That guy wasn't an egyptician phyloshope?" enquanto o outro respondia "Don't know, man, never been in Egipt before!" e as gargalhadas continuaram).
"SH - Who is there?"
"M - It's me, a reporter from Aldeia Lusitana, a portuguese blog, surely you must have heard of us... we are well known internacionally!"
"SH - Really?"
"M - No, but we like to think that we are... and from this moment on, we shall be...!"
"SH - And, may I ask you, why do you say so?"
"M - Well, it's quite obvious, after this interview..."
"SH - Ahhhhh... so you're not the priest that cames to give me my final blessings?"
"M - Dear God, Sir... no!!!! Do I look like a priest to you?"
(Seguem-se três ou quatro minutos de silêncio em que Saddam parece avaliar bem o seu interlocutor e onde o nosso Marquês começa a sentir-se, pela primeira vez, algo desconfortável com aquele olhar inquisidor e, diria ele, quase lascivo)
Quebrando o silêncio, o entrevistado diz, então:
"SH - Well, if you came in all dressed in black, I might have mistaken you for a priest, but now that we both know that you are not one, I supposed all my blessings were heard by Allah, the Great Prophet!"
"M - And why do you say that?"
"SH - Well, it has been many days, many nights, standing here, all by myself, without a woman to satisfy my deepest desires."
"M - You mean: cook for you, passes your shirts and things like that?"
"SH - No, my dear friend, I mean sexual necessities! And, let's be honest with each other, I'm not in a position to demand a woman, right now, so you'll have to do..."
A aldeia decidiu, por unanimidade, não publicar o teor subsequente da entrevista, apenas levanta o véu no que toca à resposta dos soldados quando um desesperado Marquês bate ininterrupta e tresloucadamente na porta, em pânico, chamando por ajuda e pedindo que a mesma fosse aberta:
"We've received orders to not disturb within a full hour, not a minute more, not a minute less! So, please, stay quiet, do your fuckin' job and let us do ours!"
Hic Hic Hurra!
Ah, ganda Marquês!
ResponderEliminarE no regresso, no aeroporto, teve que se despir todo porque o controlo policial não acreditou que, com aquela vozinha, fosse «o» indivíduo que constava do passaporte...
Foi uma entrevista das arábias, caraças, onde a frase que mais se ouvia era "ralabah ute, ralabah ute!" o que, em tradução directa e despreocupada, significa:"Guincha cabra, guincha cabra!". Não foi possível apurar quem gritava e quem sofria...mas era em árabe...em arábe...
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