"Eram 10.30h da manhã e o Director do Estabelecimento Prisional de Lisboa estava com uma valente dor de cabeça. Daquelas que nos agarram pela manhã e tardam a largar-nos. Tudo por causa daquela bendita (?) ideia do Ministro da Justiça de meter empresas de segurança privada a vigiar as prisões.
Ainda mal tinha chegado de manhã e os telefonemas do pessoal que vigia os bares da 24 de Julho já tinham começado, perguntando se havia vagas, quanto é que se ganhava por noite e se tinham impunidade legal no caso de existir necessidade de bater nos reclusos.
Depois, tinham sido os guardas da ala F que lhe tinham comunicado que os reclusos daquela ala tinham desatado a comemorar, com garrafas de água e feijão frade, o facto da maior parte dos seus vigilantes passarem a ser os seus familiares.
E ninguém lhe tinha dito nada. Rigorosamente nada. Os jornais já haviam telefonado. O seu primo, que trabalhava na TVI, já lhe tinha pedido um exclusivo. E do Ministério nada!
Ao que parece, o E.P.L. também ia mudar de sítio para a periferia. Ficou a saber disso quando os guardas da Ala C, destinada ao pessoal que vinha da Costa da Caparica, vieram comunicar-lhe que os reclusos daquela ala estavam a comemorar tal facto com cachapa e pêras (na ala C não havia garrafas de água devido ao óbvio perigo dos tipos abrirem qualquer fechadura com qualquer material que lhes fosse posto nas mãos), e que os da ala D (destinada ao pessoal da Linha de Cascais) já haviam elaborado uma petição solicitando a colocação do novo E.P. junto do Cascais Shopping ou de uma praia onde se pudessem ver mulheres nuas.
Telefonou, cerca das 10 horas, para o seu cunhado, que estava no E.P. de Pinheiro da Cruz. Este também lhe disse que só sabia o que tinha ouvido na rádio, e que estava muito contente por o Governo ter reconhecido que o enorme agregado populacional à volta do E.P. de Pinheiro da Cruz estava a criar nos reclusos a vontade de escapar, dadas as grandes tentações sociais circundantes.
O Director do E.P.L. desligou o telefone com a sensação de que o seu mundo tinha tirado umas mini-férias.
Mal ele sabia que, num gabinete distante no Ministério da Justiça, um Ministro começava a pensar em colocar os Directores dos Estabelecimentos Prisionais como excedentários na função pública, com possível colocação em Angola..."
Caro amigo,
ResponderEliminarLamento ter de escrever este comentário mas detectei um erro crasso no teu post: talvez sem te aperceberes foi por ti escrito que "...no Ministério da Justiça, um Ministro começava a pensar...". Ora, é por todos sabido que um Ministro pensar é uma fábula, uma ilusão para adormecer meninos; mais, um Ministro a pensar no Ministério da justiça é um verdadeiro facto contra natura, real aberração, qual aborto espontaneo de vaca de duas cabeças...o resto está bom. Respeitosamente te apresento os meus respeitosos respeitos
É verdade Chefe,
ResponderEliminarDaí aquele ditado: penso, logo... não sou Ministro!
Hic Hic Hurra