O Estado da nação (ou uma longuíssima do Marquês)
Não pude resistir, dado hoje ser o dia da implantação da república em Portugal, de fazer uma profunda reflexão sobre o nosso estado social e quejandos, ao contrário do nosso Presidente da República, que no seu discurso apenas se irá debruçar sobre a escola e a comunidade (como se alguém se interessasse por isso).
1. Finanças.
Se após 1911 caimos num caos financeiro, a situação agora não se encontra muito distante. Sendo a resolução do défice a explicação para tudo o que nos cai em cima, ainda ninguém do Governo nos conseguiu explicar de que forma a fuga de capitais para o estrangeiro ajuda na resolução do défice (se eu morasse em Elvas decerto que ia até Badajoz meter combustível - quando regressei de Espanha nas férias, um litro de gasóleo custava 0,97€ em Badajoz e 1,09€ em Elvas), de que forma a contínua falta de dinheiro dos portugueses ajuda a contribuir para o investimento privado e a poupança, e porque motivo Sarkozy, no seu primeiro orçamento, borrifou-se para o défice e preferiu baixar os impostos para estimular a economia francesa. O certo é que qualquer diminuição de impostos que venha a seguir até ao ano de 2009 será sempre, a meu ver, um ano orçamental de excepção a título de eleitoralismo.
2. Economia
É óbvio que onde os impostos são altos as empresas internacionais não investem. Não existindo investimento empresarial nem forma de estimular a economia, lógico se torna que a existência de um Ministério da Economia era perfeitamente dispensável. O que significa que Manuel Pinho está a ocupar um tacho.
3. Justiça
Com a entrada em vigor dos novos Código Penal e Código de Processo Penal, já toda a gente percebeu que, actualmente, compensa, e muito, estar do outro lado da lei.
Um exemplo, para se perceber: a Polícia é chamada a um local onde um marido se encontra a bater na sua mulher, e apanha-o em flagrante. A Polícia não pode detê-lo porque o actual crime de violência doméstica tem uma pena máxima aplicável até 5 anos, sendo que só poderia detê-lo se o crime tivesse uma pena superior a 5 anos de prisão. O tipo continua a bater na mulher, e o Polícia mete-se no meio para continuar a evitar as agressões, no que o sujeito igualmente o atinge com uns quantos pontapés e socos. Ora, bater no Polícia também não é crime a que seja aplicável pena superior a 5 anos de prisão, pelo que o tipo continua a bater na mulher e no polícia sem que este, efectivamente, possa fazer algo. Tirando notificá-lo para comparecer na manhã seguinte no Tribunal.
Cá em casa, a senhora Marquesa já foi avisada do que pode acontecer e já anda a passar menos de 10 minutos por dia na minha presença.
O que começou com a alteração populista do período das férias judiciais, não percebendo o português normal o que estava em jogo, prossegue agora com esta inominável alteração às regras do jogo para salvaguardar os interesses de alguns amiguinhos.
E o pior é que o povo português lhes vai dar a maioria novamente em 2009.
4. Obras Públicas
Aeroporto da OTA, 3.ª ponte sobre o Tejo e TGV. Preciso de dizer mais?
5. Ambiente
Alguém sabe o nome do Ministro? Ou sequer que é o mesmo das Obras Públicas?
6. Educação
Devo confessar que já perdi a conta ao número de reformas educativas desde que abandonei o 12.º ano. Mas devo confessar que a situação deve estar mesmo má, tendo em conta que no outro dia li um escrito de uma advogada que escrevia "mágua" e "sorriso torcista". Estaremos, mais uma vez, a evoluir para novas formas da língua portuguesa?
7. Ciências e Tecnologia
Porque é que ninguém fala no que o Mariano Gago anda a fazer (ou a não fazer)?
8. Cultura
Tirando o "Abrupto" do Pacheco Pereira, há mais resquícios de cultura escrita por aí? Paula Rego chega para tudo? Alguém me diz o que foi feito pelo Estado Português nesta matéria?
9. Saúde
Deixei de ir a hospitais públicos, depois daquela situação de espera nocturna de 7 horas que descrevi num "post". E o pior é que os privados estão a ficar sobrecarregados devido à incompetência dos hospitais públicos. Além dos encerramentos de maternidades e de centros de saúde sem explicação plausível. Sim, este Governo conseguiu arruinar o sistema de saúde existente.
10. Segurança SocialAs pensões de reforma diminuiram e a segurança social até já dá lucro em anos sucessivos. Boa gestão, dizem eles. Há que lhes dar o mérito do combate às baixas médicas falsas como mais ninguém fez.
11. Futebol
O Benfica não ganha, o que só por si é significativo da existência de uma crise nacional (por acaso, eu penso que a coisa até está relacionada com o aparecimento de um cartão de crédito da CGD ligado ao Benfica, em que eles metem dois euros no cartão por cada golo que o Benfica marca; a partir daí, o Benfica deixou de marcar golos, penso eu que por pressão da própria CGD, que não quer perder dinheiro).
12. Gajas
Quando as principais musas do País têm o apelido de Chaves, e chamam-se Soraia e Diana, é sinal de que as Silvas, as Pereiras e as Ferreiras não se andam a cuidar como deve de ser. Há que preservar a beleza típica lusitana. Se és uma Silva, desloca-te à Corporation Dermoestética e vê se arranjas maneira de te pores ao nível das Chaves, de forma a elevar o bom nome da beleza nacional portuguesa. Também aqui, como em tudo, penso que a culpa é do Governo, que não subsídia a imagem das Silvas e das Pereiras.
Foi para isto que apareceu a República?
E por isso vos deixo com a única mensagem que penso ser útil neste dia de implantação da República:
VIVÓ REI!
1 comentário:
Caro Senhor Marquês,
Com excepção do último grito do S. magnífico post, subscrevo na íntegra tudo o que escreveu e deixe-me que lhe diga que desta feita V. Senhoria conseguiu superar-se.
É que nem o Presidente da República conseguia, no seu discurso habitual por ocasião da efeméride, colocar com tanta precisão e objectividade uma série de questões tão relevantes.
Aquele abraço e eis-me de volta ao blog! Para o que der e vier!
Hic Hic Hurra
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