quarta-feira, 18 de abril de 2007

Alô, Alô

“- Tou, Pedro?
- Ah, olá, Zé, és tu?
- Sou, minha grande cabra! Então como é que vai isso?
- Complicado, mas estamos a conseguir ganhar tempo.
- Vocês vejam lá se despacham isso rapidamente. Não me posso manter eternamente no estrangeiro.
- Não te preocupes, pá. Já conseguimos ganhar vinte e quatro horas e tudo indica que amanhã à noite já os conseguimos calar.
- Ganhar vinte e quatro horas? Tás maluco, minha cabrona? Porque é que ainda não os aviaram?
- Epá, ainda estamos a negociar a colocação da tal Maria João Barreto numa assessoria do Ministério da Educação e a tentar imiscuir o tal Jorge Roberto no negócio da transferência do João Pinto para o Sporting, por forma a que a PJ o detenha amanhã, antes da conferência de imprensa. Não tivemos maneira de evitar foi aquela porcaria do inglês…
- Qual porcaria de inglês? Do que é que estás a falar?
- Bom, os paneleiros do “Sol” tiveram acesso, sabe-se lá como, ao teu exame de inglês técnico…
- Os grandes filhos da puta! Chegaram a falar com eles antes de a divulgarem?
- Chegámos, mas o mariconço de merda do arquitecto que dirige lá a coisa disse que só faz propaganda política a engenheiros que realmente o sejam.
- Esse filho da puta dum arquitecto há-de pagá-las, nem que seja o último acto que o pessoal da entidade reguladora pratique. Quanto ao resto do pessoal, conseguiram convencê-los?
- Tivemos azar pá. Não morreu nenhum português lá naquela coisa da Virgínia. Se tivesse morrido, o resto do pessoal até se esqueceria que és engenheiro. Quer dizer, alguns já se esqueceram… Ainda consegui convencer alguns a esquecer esta história do curso e a publicar em parangonas o facto de não ter morrido nenhum português lá nas Américas.
- Vê lá se os gajos do gabinete fazem o que devem que eles estão a ser pagos para isso. E de resto?
- Nada de relevante. Como vão as coisas aí por África?
- Muito interessantes. Conheci ontem um diplomata marroquino com uns olhos lindíssimos e… bom, isto não interessa nada. Tem sido uma visita muito frutífera, é apenas o que te posso dizer. Vai-me mantendo informado do que se anda a passar. Até amanhã.
- Chau.
O texto anterior representa uma mera transcrição ficcional, em linguagem natural e que toda a gente reconhece como ficticiamente utilizada em privado por ambos, de uma chamada telefónica fictícia ocorrida às 23.34h do dia de ontem, entre um engenheiro ficcional e o seu clone (já agora, qual será o curso do Pedro Silva Pereira e onde é que o terá obtido?).

2 comentários:

Ticha disse...

Bem caçado, sim senhor...Não bastava pegar de marcha atrás, ainda tem de ir para Marrocos dá-lo a entender...estamos lixados com este gajo. E têm toda a razão é mesmo assim que funciona a comunicação social, fazem-se noticias para que o população se esqueça das anteriores...

ENGº. Viriato disse...

Carissimo Marquês,
Do melhor.Isto sim, é jornalismo a sério!
Continua