sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

5.ª ETAPA: Ouarzazate - Tan Tan

Última etapa em território marroquino, a acabar mesmo junto ao fronteira com o Sahara Ocidenteal e a Mauritânia.
Agora sim, o deserto não dá tráguas, as dunas sucedem-se e os atascansos também.

De penalização em penalização, Marquês segue imparável rumo a Dakar. A Senhroa Marquesa ficou fascinada com os palácios de Ouarzazate e fou o cabo dos trabalhos para a tirar de lá. Cada tapete, cada bule de latão, cada objecto de artesanato, cada berbére, enfim... cada marroquinaria que via obrigava seu esposo a comprar.
Também Sua Senhoria se maravilhou com as túnicas árabes - afinal também as havia coloridas - e são tão jeitosa: não têm fechos nem botões, basta levantar e é um vê-se-te-avias.
Já em prova, o Rolls tem sentido evidentes dificuldades nas areias do deserto. Ora, Marquês, que não é nenhum camelo, comprou uma caravana do tido animal para assegurar a tracção permanente de que necessita para vencer os obstáculos naturais. Também substituiu a gasolina por água nos seus depósitos de combustível suplementares.
Certo e sabido que sofreu váris penalizações, pois o pachorrento trote dromedário não se compadece com os tempos impostos pela organizaão para o cumprimento dos percursos.

O Grande Chefe Viriato está prestes a atingor o ponto de ebulição: não há maneira de dar uma passa num filho de uma grandessíssima sarracena. Seja porque o deserto não é um espaço muito densamente povoado, seja porque os tipos mexem-se mais rapidamente que um tareco ao avistar a minha Argúcia, a verdade é que a coisa não está famosa. «E eu que prometi aos meus bravos lusitanos regressar com honra e a bagageira do UMM carregada de cabeças de infiéis!...».
Xavier Tira-Cáries tem sido um constante apoio do Chefe, incentivando-o a prosseguir e a não desistir - «vamos, Viriato, havemos de os apanhar; eu quero aqueles dentinhos todos, he he he, ao preço a que estão os implantes vou ficar rico, he he he».
Urraca Mamadona continua a sua recuperação e já consegue distribuir umas mamadas extra, já que a Viriatinha parece estar a adaptar-se bem ao clima do deserto e tem bebido muita água.

Zé Porvinho tem-se debatido com sérios problemas de combustível. Com o calor a apertar as necessidades de ingerir fluidos é maior e todos nós sabemos que líquidos escorregam por aquelas goelas. Acontece que o Tó-Mané tem tido dificuldades com o abastecimento, quer devido às grandes distâncias que separam o carro dos centros de apoio, quer pela sede do próprio Tó-Mané, que chega a entregar os bidons de tinto já a meio (não nos esqueçamos que bares ou tabernas é coisa que por estas bandas não existe).
Aliás, nesta etapa a fúria do Zé contra o seu colaborador - agravada pela forte ressaca de que estava já acometido - que o deixou enterrado no meio do escaldante deserto, apenas com a cabeça de fora e um copo de palheto a 10 cm da boca. Sorte do Vinhas que pouco depois passou por ali o Carlos Sousa que o resgatou.
Assistiu-se a um violento acidente quando Zé, desesperado, parou subitamente o carro porque avistou a poucos metros uma cuba em inox cheia de vinho. Saiu e precipitou-se desvairado na sua direcção. O pior foi quando chocou violentamente contra uma palmeira e rebolou para dentro de um charco, ficado encharcado e, pior que tudo, engolindo abundante pirolito - era afinal um oásis e Zé tinha sido vítima de uma miragem! Foi preciso muita terapia de grupo (a cargo do Xico e do Cá-Jó) e muito moscatel para o erguer de novo e pô-lo ao volante da máquina - «Bute lá, Zé, temos um rali para perder e uma grade de mines bem fresquinhas à nossa espera em Dakar».

Sem comentários: