quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

4.ª ETAPA: Er Rachidia - Ouarzazate

Penúltima etapa em solo marroquino. Pistas muito duras, com muita pedra, propício a uns furozitos.

Viriato, sem nunca baixar a guarda - e não só! - lá prossegue a sua incasável aventura por terras infiéis. Finalmente ía conseguindo atropelar um mouro... bem, lá atropelar atropelou, mas ao invés do tão ansiado sarraceno passou por cima de dromedário. «Atão aquilo não era um árabe?» mostrou-se surpreendido o Chefe, pois o animal correspondia à descrição que seus avós cruzados lhe haviam feito dos seguidores de Alá. Após aturadas explicações e mesmo recorrendo ao vol. XII do Larousse Ilustré (Paris, 23.ª edição), Sertório logrou convencer o seu líder que aquilo era mesmo um camelo de uma só bossa. Por isso, continuou a demanda por um atropelo em condições.
Viriatinha é que continua sem dar descanso. Seja do calor do deserto, seja da areia abundante, seja do leite da Mamadona, o que é certo é que a infanta requer atenções constantes da sua babysitter. Não sobrando muito tempo para as mamadas do chefe e outros desmandos, este tem andado bastante irritadiço, o que reverte em favor do UMM, que tem voado! Nesta etapa conseguiu mesmo ser o quarto da geral a contar do fim, à frente de Zé e Marquês, bem como de um alemão que não consigo soletrar o nome e que desistiu após violento despiste.

Zé Porvinho também não se tem dado mal nas duras pistas do deserto berbére. Como agora as etapas chegam a durar mais e 10 horas de condução, Cá-Jó Lagares, o mecânico da equipa engendrou uma complexa teia de tubos dentro do Peugeot de modo a levar o precioso líquido hidratante directamente do pipo à boca sedenta do Zé, outro a partir dele e ligado ao refrigerador para as necessidades fisiológicos e outro também da boca para o exterior para o escarro ocasional. O senão é que Cá-Jó teve pouco tempo para realizar a tarefa, ao mesmo tempo que estava com uma violenta cardina à conta de provar as misturas de combustível que idealizou para uma melhor perfomance. Parece que houve nem todas tubagens ficaram bem ligadas... «Ó Xico, a pomada hoje tá diferente... escorrega comó caraças!!».
Outra constante nas etapas de Zé é que recupera sempre significativamente tempo na segunda metade das ditas, quando a grossura se vai avolumando. É que o deserto tem sempre inúmeros obstáculos naturais que é preciso contornar «Vai, Zé, agora são 120 km em linha recta sempre a fundo, não tem nada que enganar»; «Bute lá!» SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

Marquês é que teve logo pela manhã um arrufo com Manolito, pois quis deixá-lo em terra, descontente com as nuances que lhe fez durante a noite. Foi preciso a intervenção da Senhora Marquesa, 2 horas depois, para serenar os ânimos: «Se o menino pensa que vou passar sem o coiffeur tire daí a ideia! Vá, Manolito, entre e sente-se; aí ao lado do Zé Negão não, seu guloso, esse lugar é meu!». Tá-se mesmo a ver - penalizou.
A meio da prova, ao passar por uma aldeia berbére, a Senhora Marquesa ordenou «parem!», pois ficou deslumbrada com as enormes colmeias que ali estavam. «Meu xuxuzinho, aquilo não são colmeias; trata-se de uma aldeia pré-histórica, muito bem conservada». «E aquilo são dinossauros a sair das habitações», não resistiu Zeferino.
Mais adiante nova paragem, desta vez para comprar um tapete lindo que estava pendurado numa corda ao lado da porta de uma casa. Como ninguém se entendeu em língua nenhuma, a Senhora Marquesa pegou no dito e seu esposo deu meia dúzia de euros em moedas e um espelho de carteira «Estes selvagens adoram isto e julgam que vão ficar ricos». Só não percebeu porque tiveram de zarpar a toda a velocidade, perseguidos por uns tipos com aspectos zangado e aos tiros em sua direcção.

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