quarta-feira, 8 de novembro de 2006

A Igreja, o crime e a aproximação da fé aos reclusos

Amigos,
Estava eu ontem na Taberna a beber uns copitos e eis que, num dos canais nacionais, dão uma entrevista com aquele Senhor Padre que foi sequestrado, o Senhor Padre Júlio.
Devo confessar (a expressão aqui aplica-se que nem uma luva) que fiquei estupefacto. O homem tinha acabado de ser sequestrado por dois criminosos que o pretendiam usar como meio de fuga, logo após ter ido dar a sua homília matinal a um estabelecimento prisional, e o ar do homem era como se nada daquilo tivesse sido a sério.
E lá estava ele, sorridente, com um ar de felicidade estampado na cara (eu também o teria, se tivesse sobrevivido), e entre outras coisas ficámos a saber que juntamente com os sequestradores cantaram várias cantigas cristãs, o 13 de Maio então parecia um coro, que os pobres sequestradores que primeiro lhe queriam fazer a folha e até lhe provocaram um cortezito na garganta, no final já tinham pena de o matar, que é um padre do FC Porto, enquanto os sequestradores eram do Benfica, que ainda tinha de ir falar com o Bispo, mas se tivesse de ir novamente dar uma missa à prisão, ía na boa, e prontos!!!!! Aliás, a dada altura, o entrevistador pergunta-lhe o que faria se visse novamente os seus sequestradores naquele momento... lógico: ficava contente por não terem morrido e ainda íam juntos tomar um copo! Tudo expressões do próprio Padre Júlio.
Realmente, este santo serviçal da Igreja Católica está a seguir à risca os ensinamentos de Cristo, no que toca à aproximação da Sua Casa às ovelhas tresmalhadas do rebanho de Deus.
E, se querem que vos diga, nem sei se o critique se o valorize.
Agora que me ri a bom rir, isso ontem foi um fartote do camandro!
Pergunta-se: Para quando um padre que explique aos fiéis que Jesus Nazareno não viveu na nossa Nazaré, e, apesar de nascido em Belém, não era de Lisboa, mas sim de um local que ficava bué da longe? E que a Igreja acha muita nice que o people vá p´ró mocanço sem preservativo e fazem um manguito ao aborto?
Hic Hic e prontos!

5 comentários:

Anónimo disse...

Meu caro senhor,
Devemos seguir os ensinamentos bíblicos.
Deus disse "Crescei e Reproduzi-vos", não disse "Crescei e fodei como texugos com preservativo" ou "Crescei e abortai".
Não posso deixar, por esse motivo, de exprimir a minha mais viva repulsa ao seu sentimento pró-preservativo e pró-aborto.
O meu falecido marido é que tinha razão. Dizia ele que apenas ia às casas de meninas para reproduzir, porque era esse o nosso dever divino porque bíblico. E é assim que deve ser.

Inspector Serôdio, José Serôdio disse...

Grande Zé,
Estupefacto???
Mas não é assim que deve ser, sobretudo vindo de um fiel e humilde servidor da Santa Madre Igreja Católica, Apostólica, Romana?
É que tudo se resume - ou se deve resumir - a isto: se JC estivesse naquela situação, o que faria?

O Senhor Padre Júlio - que não tenho o prazer de conhecer - limitou-se a... ser um sacerdote, no verdaeiro e moderno sentido do termo.
E também por aí se explica a amizade que aparentemente os reclusos lhe devotam.

Mas julgo que parte da admiração do meu amigo se deve ao facto de passar tanto tempo na taberna que se esquece de dar um pulo à igreja.
Por isso, aqui fica a sugestão:um destes domingos apareça numa missa, de preferência recomendada, e verá que muita coisa mudou (para melhor, julgo).
E não se admire se um destes dias vir entrar na tasca um qualquer padre e pedir um copo três!

Já quanto ao aborto, despenalizações à parte, há valores que para o cristianismo são - têm que ser - imutáveis, avultando entre eles o da VIDA.

No que toca ao preservativo, o caso muda de figura: não há qualquer dogma ou princípio a esse respeito, ficando à responsabilidade de cada um a opção de o usar.
(eu cá, por mim, recuso-me a colocá-lo, mas se é ela a pô-lo, já não vejo mal...)

Anónimo disse...

O senhor Inspector soube comover-me até às lágrimas...
Não quer passar cá por casa um destes dias para cear e conversarmos melhor sobre a hermenêutica bíblica nos dias de hoje?

Bottled (em português, Botelho) disse...

Senhor Inspector,

Faz já muito tempo que fui excomungado da missa por não deixar mais ninguém, senão eu, tocar no sangue de Cristo!

Só lá volto quando, através de um novo Concílio convocado de propósito para o efeito, ou de uma Encíclica Vinnis pró-Ze Porvinhus a mentalidade mudar.

Até lá, nada feito.

Mas concordo que já mudaram em muita coisa (melhor seria que não evoluíssem, também).

Hic Hic Amén

PS - No post não estão expressas as minhas opiniões sobre essas questões... que essas, são como o Magnum, minhas e só minhas!

Inspector Serôdio, José Serôdio disse...

Senhora Duquesa,

Saiba Vossa nobre pessoa que muito honrado me senti com tão deferente convite, cuja recusa seria no mínimo passível da pena capital.

Permita-me ainda, Vossa Senhoria, o atrevimento de a informar que com muito pouco me contento, pois só Vossa presença chega para me encher o espírito de júbilo (contudo, a um faisãozito au sauté, acompanhado de umas ostras ao natural, caviar beluga e uns moranguitos de Sintra, regados por um Chateau Laffite de 54, não diria que não).

Quanto à hermenêutica bíblica, não sei.
O meu primo sofreu o ano passado de hermes labial, cujo o tratamento prescrito consistiu numas férias náuticas, passadas ali para os lados do Mar Morto.
Posso lhe dar um toque para que ele me dê uma ensaboadela sobre o assunto...